| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Gruiformes |
| Família: | Rallidae |
| Rafinesque, 1815 | |
| Espécie: | A. concolor |
Seu nome científico significa: do (grego) amaurus = marrom, escuro; e limnas, limne = do pântano, pântano; e do (latim) concolor = com uma única cor, colorido uniforme, liso. ⇒ (Ave) com cor marrom do pântano ou (ave) do pântano lisa.
Mede 24 centímetros. Apresenta a plumagem uniformemente castanho-ferrugíneo (Sick 1997). Sua íris é de um vermelho intenso. Vocaliza pouco durante o dia, passando muitas vezes despercebida.
Ave muito arisca e de difícil localização, passa boa parte do tempo escondida entre emaranhados de galhos, raízes e folhagens. Quando sai de seu esconderijo, dá pequenas corridas pela área “aberta” e logo volta para sua toca.
Arranca minhocas do chão úmido. Captura pequenos vertebrados como pererecas, lagartixas e principalmente girinos, matando-as a bicadas. Alimenta-se de invertebrados rastejantes como besouros , baratas e ninfas de libélula. Costuma também forragear o solo , em busca de qualquer coisa ,ciscando como uma galinha .
Constrói seu ninho em forma de taça a 1 metro de altura do solo em meio à vegetação densa, chocando 4 ovos creme, manchados de marrom e tons purpúreos. Os filhotes são miudinhos , de coloração preta levemente acinzentada .
Ocorre na borda de matas primárias e secundárias e em brejos , capoeiras e principalmente no interior de mata fechada , em córregos margeados por bambuzais e helicônias, e também em restingas e mata paludosa. . Sua vocalização é um pio agudo ascendente , semelhante a um assobio ( piiíí , piiíí , piiíí ), repetido várias vezes ,repetição essa que dura poucos segundos . É comum que um indivíduo cante sozinho e outros ao redor cantem em seguida . Costumam cantar sempre no mesmo horário , ao entardecer e ao amanhecer , porém podem ser ouvidos durante a noite e até de madrugada .
Observações pessoais por Henry Miller Alexandre
“É uma ave considerada como arisca, porém tolera a presença humana próxima , desde que o observador esteja bem camuflado ou parado , permitindo boa aproximação . Pode passar bem próximo do observador sem que este a veja . Mesmo sendo muito arisca , é bem curiosa , chega a subir em galhos e árvores tombadas para espreitar o que acontece em seu território , podendo então ser vista e registrada . Numa vez , eu estava sentado na serrapilheira e tentava imitar com um assobio o canto da Juriti (Leptotila rufaxila) , e curiosamente uma saracura-lisa escalou um caule tombado e me espreitou por alguns segundos , fugindo quando tentei sacar a câmera.
Caminha quase sempre entre galhos tombados e raízes e só se expõe ao alimentar ou “atravessar” para o outro lado . Sempre observei ela forrageando no leito sem água (mas úmido) de poças temporárias , deixando o solo revirado . Raramente voa , até o momento só observei voos curtos , apenas entre o solo e o poleiro ou entre dois troncos tombados .
Responde bem ao canto da espécie e também à playback . Em três anos que tive contato com esta espécie, praticamente no quintal de casa , percebi que costuma vocalizar mais no fim de Julho e início de Agosto , o que pode indicar período reprodutivo. Neste período responde imediatamente ( quase que desesperadamente !) a qualquer forma de seu canto , inclusive por assovios simples . Interessante que logo após essa época , elas ficavam num período de silêncio , não respondendo à playbacks , nem cantando nos fins de tarde, período que vai até o início de Janeiro .
Observei um indivíduo na “divisa” entre o manguezal e a restinga pantanosa , na Praia da Fazenda , Ubatuba/SP , Janeiro de 2016.
A saracura-lisa , apesar de muito difícil de observar , pode viver em áreas urbanas muito próximas de casas , desde que haja trechos preservados de seu habitat , tolerando certa ação antrópica em seu habitat . Morei no bairro Estufa 2, em Ubatuba-SP ,e eram comuns na mata logo aos fundos de casa , podendo ouvir sua vocalização nos fins de tarde , geralmente após as 17:30 hs . A região hoje tomada por casas e ruas em expansão desenfreada ,foi há anos atrás uma área de brejos de restinga e mata paludosa , e que aos poucos com o crescimento urbano foi perdendo seu território , restando atualmente pequenos fragmentos , já em sua maioria tomados por lixo e esgoto , além de sofrer com o desmatamento causado pelo avanço imobiliário irregular .